segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Oscar Castro-Neves e Roberto Menescal - A Morte de Um Deus de Sal

Sou fanzaço de Oscar Castro-Neves. É um músico que o Brasil ainda precisa descobrir. Como ele fez sua carreira toda nos Estados Unidos, acabou pouco conhecido por aqui.

Seus álbuns mais recentes nunca foram lançados no Brasil. São excelentes discos de música brasileira que mereciam ser conhecidos do público brasileiro. Sua memória precisa ser resgatada.

Buscando por aí encontrei esse vídeo de Oscar com Menescal e uma banda de craques. Merece ser visto.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

João Donato – Rei do Mambo aos 80 anos, por Flávio de Mattos

João Donato passou a vida toda sendo cult e finalmente agora é pop, aos 80 anos. Adorado pelos músicos, aclamado pela crítica, o seu reconhecimento pelo público era absolutamente escasso. Sua música era conhecida, mas o músico, não. As composições mais famosas eram atribuídas sempre aos parceiros ou aos intérpretes.
As pessoas não sabiam que A PazBananeira; e Lugar Comum, por exemplo, tinham melodia de João Donato, com letra de Gilberto Gil. Mesmo A Rã, êxito dos tempos iniciais da bossa nova, não raro, era atribuída a João Gilberto, amigo e parceiro, mas em outra peça, Minha Saudade.
Dois artistas rompedores, Donato e João Gilberto, nos anos 50, integravam a mesma turma de jovens músicos, que tinham o jazz como referência. Os dois eram, igualmente rejeitados na noite, pois não faziam uma música fácil de ouvir e dançar, como queriam nas casas noturnas.
À frente de seu tempo, João Donato fazia um piano mais batucado, forte ritmicamente, contrário ao piano dedilhado e meloso, mais ao gosto do público. Isso lhe rendia problemas e lhe reduziam os contratos. Com as oportunidades se fechando no Brasil, Donato foi para os Estados Unidos, a fim de fazer jazz.
Para sua frustração, o início dos anos 60 na América também não estava bom para os artistas. Mas ele descobre as orquestras de música latina. Eram esses grupos que estavam empregando os músicos de jazz naquele momento. Primeiro João Donato consegue trabalho com Cal Tjader e logo torna-se o pianista da big band do percusionista cubano Mongo Santamaría.
Se antes a música de João Donato já tinha uma grande mistura de influências, ganha, ainda, a do jazz afro-cubano. Além de Mongo Santamaría, Donato tocou com todos os grandes do gênero, como Tito Puente, Ralph Peña, Eddie Palmieri e Johnny Martinez. No álbum, Más Sabroso, de 1961, está uma parceria sua com Mongo Santamaría em ritmo de pachanga. A peça Entre Amigos.
Essa influência latina marcou para sempre o trabalho de João Donato. Ela pode ser percebida na afrobaiana Patumbalacundê, do álbum Lugar Comum, de 1975. E em suas baladas aboleradas, como Nunca Mais, do disco Managarroba, de 2002.
Contudo, toda a latinidade do jazz de João Donato está sintetizada no álbum instrumental Sambolero. O trabalho lhe rendeu o Grammy de melhor disco de jazz latino de 2010, com absoluta justiça. Nele, o piano suingado de Donato revisita seu repertório, com Luiz Alves, no baixo; e Robertinho Silva, na bateria.
Para celebrar seu aniversário, que será no próximo dia 17 deste mês, fica aqui João Donato com seu Sambolero. Longa vida ao grande mestre.

Flavio de Mattos, jornalista. Dirigiu a Rádio Senado. Produz o programa Improviso - O Jazz do Brasil, que pode ser acessado no endereço:senado.leg.br/radio

domingo, 13 de julho de 2014

RIP Charlie Haden

O grande baixista Charlie Haden faleceu na sexta-feira, 11.07.2014. Um dos músicos mais importantes da história do jazz. Deixa um legado fantástico com suas obras. Uma de suas composições é, especialmente, representativa em sua carreira: First Song (for Ruth). É a primeira música que escreveu para sua mulher.



sábado, 12 de julho de 2014

Kind of Blue: O auge da tumultuada relação de Miles e Coltrane - No Blog do Noblat

Flávio de Mattos
Um soco no estomago marcou o fim do primeiro período do Quinteto de Miles Davis, com o saxofonista John Coltrane. Os dois tinham começado a trabalhar juntos havia pouco mais de um ano.
Davis tinha superado o vício em heroína, e a má fama que lhe trazia. Em plena forma, fez uma soberba apresentação no Festival de Jazz de Newport, em julho de 1955. A performance lhe valeu um contrato com a poderosa Columbia Records.
O trompetista convocou o pianista Red Garland, o baixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones, para seu grupo. Davis queria ainda um saxofonista, e Jones indicou John Coltrane. Estava formado o primeiro grande Quinteto de Miles Davis.
Com esse grupo, Miles gravou cinco discos, que ele devia, para selo Prestige, ao mesmo tempo em que preparava o primeiro álbum para o novo selo. Em outubro de 1956, saía o disco do Quinteto Miles Davis para a Columbia Records, ‘Round About Midnight.
Nessa época se deu o incidente da agressão. A banda fazia temporada no Café Bohemia, de Nova York. Coltrane vivia se atrasando para as apresentações e, ainda, chegava doidão, mal vestido, acabado. Às vezes, cochilava no canto do palco em pleno show. Miles Davis, o Chefe, como lhe chamavam os músicos, estava cheio.
Quando aquela noite Coltrane chegou, de novo, atrasado e alto, Miles Davis estourou. Gritando e xingando, foi para cima do músico. Chegou a acertar-lhe o soco no estômago, antes que o pianista Thelonious Monk, que estava no camarim, o contivesse. Coltrane continuava atônito, mal compreendia o que estava passando.
Demitido do Quinteto, John Coltrane se submeteu a um novo tratamento e conseguiu se livrar da heroína. Teve um ano de 1957 altamente produtivo. Fez uma temporada tocando com Thelonious Monk; assinou contrato com a Prestige; e passou a conduzir seu próprio Quarteto, que se tornaria outra referência na história do jazz.
Nesse meio tempo, Coltrane e Miles se acertaram e o saxofonista voltou à banda, em 1958, completamente renovado. Aprendeu muito com Monk, adquirindo completo domínio de seu saxofone.


É essa dupla, no auge da maturidade que vemos no vídeo, de 1959, tocando o temaSo What, faixa que abre o disco Kind of Blue, o álbum de maior êxito na história do jazz. Ele representa uma mudança na maneira de fazer música, resultado da reunião de dois gênios como Miles Davis e John Coltrane. Uma relação tumultuada, de amor e ódio, mas de estímulo mútuo que leva ao crescimento de ambos.

Flavio de Mattos, jornalista, escreverá aqui sobre jazz a cada 15 dias. Dirigiu a Rádio Senado. Produz o programa Improviso - O Jazz do Brasil, que pode ser acessado no endereço: senado.leg.br/radio