terça-feira, 2 de abril de 2019

A carreira marcante e curta de Lee Morgan


O pequeno Slug’s Saloon, no East Village de Nova York estava lotado naquele sábado gelado de 19 de fevereiro de 1972. A atração da noite era o trompetista Lee Morgan, a grande sensação do jazz, naquele momento. No intervalo do show, sua mulher Helen Morgan chega para assisti-lo tocar. Encontra Lee Morgan, na mesa dos músicos, com outra mulher. Os dois discutem, ela saca um revolver da bolsa e lhe dá um tiro no peito.

Lee Morgan havia começado sua carreira profissional aos 15 de idade. Nascido na Filadélfia, em 1938, ele foi aluno de Clifford Brown. Participou de workshops com Miles Davis e Dizzy Gillespie, que se tornaram outras de suas influências. Em 1956, com 18 anos, Morgan passou a integrar a Big Band de Dizzy Gillespie e, também, gravou seu primeiro disco solo para o selo Blue Note, Indeed.

Nesse mesmo ano de 1958, Lee Morgan ingressou no grupo de Art Blakey Jazz Messengers. Ali ele desenvolveu seu talento de solista e de compositor. No álbum Monin’ (1958), um dos grandes sucessos do grupo, o trompete de Lee Morgan se destaca no solo da balada Along Came Betty. Foi também por essa época que Lee Morgan se iniciou na heroína.

O vício virou um problema na vida do trompetista. Acostumado à elegância, Lee Morgan passou a andar desleixado, gastava todo seu dinheiro em drogas. Começou a faltar aos ensaios e shows. Foi expulso do Jazz Messengers, em 1961. Ninguém mais queria contratá-lo, porque não havia garantia de que Morgan apareceria para tocar.

Estava no fundo do poço quando conheceu Helen. Ela era amiga de muitos músicos e sempre os recebia para jantar, em sua casa. Lee Morgan apareceu por lá em um dia de inverno. Estava sem casaco e sem o trompete. Ele os havia empenhado, para comprar drogas. 

Helen, bem mais velha, ficou com pena daquele quase menino e resolveu cuidar dele. Abrigou Lee em sua casa, ajudou-o a tratar-se e a recuperar-se fisicamente. Morgan levou dois anos longe dos palcos e dos estúdios, até conseguir ser firmar novamente. Casaram-se e Helen passou a cuidar de sua agenda, garantir sua presença nos shows. Recuperado, em 1963 Lee Morgan gravou o primeiro disco da nova fase, The Sidewinder, referência em sua carreira.

De volta à primeira linha do jazz, Morgan era uma estrela naquele ano de 1972. Sua relação com Helen, contudo, já não era tão boa. Ela desconfiava que ele teria outra, mas encontrar os dois no Slug’s, ela não esperava. O tiro não teria sido fatal se Morgan fosse socorrido rápido. Por causa da neve, a ambulância levou mais de uma hora para chegar e o músico não resistiu. Lee Morgan tinha apenas 33 anos.

No vídeo a seguir, podemos ouvir Lee Morgan no grupo Jazz Messenger, com Art Blakey, na bateria, no tema I Remember Clifford. A composição é de Benny Golson, que está no sax tenor, em homenagem ao seu amigo Clifford Brown.


terça-feira, 19 de março de 2019

Ouça o melhor Jazz do Brasil no Improviso




O Jazz do Brasil está no Improviso, na Rádio Senado FM. A música vocal e instrumental brasileira com a levada do jazz. Os melhores instrumentistas do mundo, interpretando as composições brasileiras e os grandes artistas brasileiros tocando a música internacional. A mistura do balanço da bossa com o improviso do jazz. Esse é o espírito do programa. O Improviso vai ao ar às sextas feiras, às 23 horas, com reprise nos sábados, as 18 horas. Em Brasília, a Senado FM está no dial 91,7:

https://www12.senado.leg.br/radio/1/improviso

Quincy Jones, aos 86 anos, lenda do jazz e do pop



A ponto de completar 86 anos, Quincy Jones merece todas as homenagens que tem recebido do mundo da cultura. Compositor, arranjador, produtor e empresário de sucesso, ele é um verdadeiro monstro sagrado na indústria do entretenimento. Em seus mais de 60 anos de atividade, detém o recorde de 80 indicações para o Grammy, com 28 prêmios e um Grammy Legend, em reconhecimento à sua carreira.

Desde muito pequeno a música já fazia parte da vida de Quincy Jones. Com seis anos, escapava de casa para tocar o piano na casa vizinha. Aos 14 anos, estudante de piano e trompete, conheceu Ray Charles, que tinha então 17 e já era um talento reconhecido. O músico se tornou seu amigo e mentor e lhe abriu as portas para a profissão.

Com 15 anos, Quincy Jones estava tocando trompete, acompanhando Billie Holiday, em sua apresentação em Seattle, onde Jones vivia. Aos 17 anos ganhou uma bolsa para estudar na Berklee College of Music, a grande academia americana de jazz. Permaneceu pouco tempo na universidade, logo foi chamado para ser trompetista, pianista e arranjador na big bandde Lionel Hampton.

A carreira profissional levou Quincy Jones a morar em Nova York, onde passou a escrever arranjos para Sarah Vaughan, Dinah Washington, Count Basie, Duke Ellington e para seu grande amigo Ray Charles. O salto na carreira se deu quando Frank Sinatra o convidou para escrever as orquestrações do álbum It Might as Well Be Swing, que Sinatra gravou com o pianista Count Basie, em 1964. A canção Fly Me To The Moon, que abre o disco, tornou-se um dos clássicos de Sinatra. 

Ainda em 1964, Quincy Jones escreveu a trilha sonora do filme The Pawnbroker (O Homem do Prego), de Sidney Lumet. Foi a primeira das mais de 40 trilhas de sucesso que Jones escreveu para o cinema. Entre elas, as premiadas A Sangue FrioNo Calor da NoiteBob & Carol & Ted & Alice. A nova atividade o levou a fixar residência em Los Angeles, onde acabou tornando-se, também produtor musical e produtor de cinema.

Como produtor musical, Quincy Jones teve seu auge com o álbum Thriller (1982), do músico Michael Jackson, de infausta memória. O disco é o recordista absoluto de vendas na história da indústria musical. São 110 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro. Jones foi também o produtor e o maestro do último álbum gravado por Miles Davis, em 1991. No disco Miles & Quincy Live at Montreux, Jones recriou os arranjos de Gil Evans para temas clássicos de Davis, como Miles Ahead.

As diferentes facetas de Quincy Jones, estão apresentadas no documentário que a Netflix lançou em final de 2018. Dirigido por sua filha Rasheda Jones, o filme Quincy conta em detalhes a longa trajetória. No vídeo a seguir, temos Quincy Jones dirigindo a Amazing Keystone Big Band no tema Manteca, em 2014 no Festival Jazz à Vienne. 


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Cécile McLorin Salvant a americana que aprendeu jazz na França


Domingo (10/02) é o dia da festa do Grammy, a grande premiação da indústria musical. Na área do jazz, é enorme a expectativa em relação ao prêmio de Melhor Álbum de Jazz Vocal, que poderá ir, uma vez mais para a jovem cantora Cécile McLorin Salvant. Com cinco discos gravados, ela já teve quatro indicações para essa mesma categoria e já ganhou o prêmio duas vezes.  Ela concorre com o álbum The Window, lançado nos Estados Unidos em finais de 2018.

Cécile McLorin Salvant é americana, nascida em Miami, em 1989, filha de uma professora francesa e um médico haitiano. Educada em francês, ela começou a estudar piano aos cinco anos e aos oito passou a integrar o coro infantil de sua escola. Paralelo à sua educação formal ela recebia lições particulares de canto lírico. No final da adolescência, resolveu mudar-se para a França a fim de estudar Ciências Políticas e aperfeiçoar-se em canto clássico por lá.

A mãe de Cécile acompanhou a jovem na mudança a Aix-en-Provence, em 2007, para ajudá-la e estabelecer-se no novo país. Olhando a lista de disciplinas oferecidas no Conservatório Darius Milhaud, ela viu que, além de canto clássico e barroco, havia ainda um curso de canto de jazz. Foi ela quem sugeriu à jovem que cursasse, também, essa matéria.

No teste para aceitação na disciplina Cécile McLorin Salvant cantou o tema Misty, que costumava escutar em casa, nos discos de sua mãe. O professor, o saxofonista Jean-François Bonnel ficou impressionadíssimo com a nova aluna de apenas 18 anos, que era capaz de levar para o jazz o alcance e a precisão do belo canto. Ela mesma, no entanto, não tinha muito entusiasmo pelo jazz, mas acabou gostando daquelas aulas por outra razão.

“Nas aulas de jazz estavam todas aquelas pessoas legais, com seus dreadlocks, de cigarro nos dedos”, conta Cécile. “Era muito diferente do programa de música clássica, cheio das menininhas afetadas ou da Ciêns-Po, com seus arrogantes riquinhos de direita. Como eu não tinha nada que ver com essas pessoas, eu via o departamento de jazz como um lugar para fazer amigos”.

E o primeiro amigo e mais importante que Salvant encontrou foi o professor Bonnel. Ele que introduziu Cécile ao mundo do jazz, em um curso intensivo de história do gênero. “Ele me deu os cds das cantoras mais importantes do jazz. Foram vinte, de uma vez, que eu passei a escutar todo o tempo”, conta Cécile McLorin Salvant. 

A jovem cantora ouviu tudo de Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billie Holiday, Bessie Smith, Betty Carter, Dinah Washington e Abbey Lincoln. Cécile trouxe para seu canto a técnica apurada de Ella e de Vaughan, mas se impressionou com o inconformismo de Bessie Smith. “Ela falava de sexo, de comida, de coisas selvagens, falava de diabo e de inferno, coisas excitantes, muito diferente de Ella cantando Cole Porter. Bessie Smith contava todas essas ótima histórias”, explica Salvant.

Foi também seu entusiasmado mestre quem levou Cécile para os palcos, em apresentações com seu grupo pela Europa. Ainda na França, em 2010, eles gravaram o primeiro álbum da cantora, Cécile & the Jean-François Bonnel Paris Quintet. Nesse mesmo ano, Salvant voltou aos Estados Unidos para participar do concurso internacional da Fundação Thelonious Monk, dedicada ao canto, nessa edição. Ela foi a vencedora e ainda saiu de lá com um contrato com a gravadora Mack Avenue.

O primeiro álbum que Cécile McLorin Salvant gravou para a Mack Avenue, WomanChild (2013), lhe deu a primeira indicação para o Grammy. No álbum seguinte For One to Love(2015), sua maneira de cantar subverte o sentido da composição de Burt Bacharach Wives and Lovers, que ela considera das mais sexistas. Com esse disco, Cécile ganhou seu primeiro Grammy de Melhor Álbum de Jazz Vocal.

Aqui temos Cécile McLorin Salvant em apresentação de uma das peças do álbum WomanChild no Dizzy's Club, uma das salas de concertos do Lincoln Center.



O terceiro álbum de Cécile McLorin Salvant para o selo Mack Avenue foi Dreams and Daggers (2017), gravado ao vivo no Village Vanguard. No palco, Salvant destaca as letras e o contexto das músicas que apresenta, como uma cantora da tradição do cabaré francês. É o que podemos ouvir em Mad about the boy. O disco lhe deu o segundo Grammy de Melhor Álbum de Jazz Vocal.

Em The Window (Mack Avenue - 2018), seu álbum mais recente, Cécile McLorin Salvant canta um repertório que vai da canção burlesca francesa ao pop de Steve Wonder, passando por clássicos americanos como Somewhere. O disco foi gravado em duo com o pianista Sullivan Fortner e tem a participação de Melissa Aldana no sax tenor. Forte concorrente a ganhar o Grammy neste domingo, esta é sua quarta indicação e pode ser seu terceiro prêmio, em uma carreira de apenas cinco discos gravados.

Atualização
Como previsto, Cécile McLorin Salvant ficou com o Grammy de Melhor Álbum de Jazz Vocal, na premiação de 2019.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Terri Lyne Carrington e a superbanda de Herbie Hancock






Todas as feras desta Jam Session:

Piano         -   Herbie Hancock
Baixo         -   Marcus Miller
Bateria       -   Terri Lyne Carrington
Trompete   -   Roy Hargrove
Guitarra     -   Lionel Loueke
Guitarra     -   Wah Wah Watson
Percussão  -   Munyungo Jackson

Ordem dos solos:

Herbie Hancock - Roy Hargrove - Lionel Loueke